Futuro
Pelotas é o 47° município no ranking de preparo para a longevidade
Índice de Desenvolvimento Urbano para a Longevidade apresenta mais de 30 cidades gaúchas
Jô Folha -
Comparada a outras 280 cidades brasileiras de grande porte populacional, Pelotas se encontra na 47ª posição no quesito preparo para a longevidade. O levantamento está presente no Índice de Desenvolvimento Urbano para a Longevidade (IDL), obra do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, e considera sete grupos de variáveis com mais de 50 fatores acerca da população idosa de cada município.
Esses fatores que resultam na posição de cada cidade no ranking analisam índices municipais, como os cuidados de saúde, bem-estar, finanças, habitação, educação e trabalho, cultura e engajamento e indicadores gerais.
O levantamento de dados agrupa os índices de 876 cidades de todas regiões do Brasil. Um grupo de 280 representa as cidades ‘Grandes’ - aquelas com população a partir de 100.000 habitantes - e outras 596 cidades ‘Pequenas’. O recorte tem como base as mil cidades com maior número de habitantes no Brasil, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 2018.
Ainda, a avaliação possui duas divisões: uma posição no ranking de preparo para longevidade na faixa etária entre 60 e 75 anos e outra para pessoas com mais de 75. No primeiro grupo, Pelotas está na 71ª posição, enquanto no segundo aparece na 39ª.
Essa disparidade no preparo do município com relação aos idosos de diferentes idades pode ser interpretada com uma falta de assistência para a transição da vida adulta até a terceira idade. É o que afirma o psicólogo e coordenador do Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade (Cetres) da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Hartur Torres da Silva. “Isso pode nos mostrar que ainda falta um investimento da cidade para o envelhecer”, explica.
Segundo ele, a fase entre os 50 e 60 anos representa uma série de mudanças na vida pessoal e profissional das pessoas. Para muitos, esse é o momento de início da aposentadoria e distanciamento da rotina produtiva do mercado de trabalho. “Isso pode gerar um sentimento de deslocamento e desconexão com a sociedade”, completa.
Por conta disso são necessárias ações, programas e projetos voltados ao preparo para o envelhecimento. O Cetres, por exemplo, trabalha com a promoção de atividades de ocupação para a terceira idade, como oficinas que são coordenadas pelos próprios participantes, com mais de 50 anos. O centro de extensão da UCPel completou três décadas de atividades em 2020 e atualmente atende de 350 a 400 idosos.
Para além do preparo, o engajamento dos idosos com atividades de protagonismo é igualmente importante. “É interessante ver que eles gostam de contribuir na história do projeto. (...) O que existe hoje para a população idosa são construções feitas ao longo das décadas, se trata de um esforço coletivo”, destaca.
Reconhecimento para Pelotas
O Conselho Municipal do Idoso enxerga a posição no ranking como algo positivo. O coordenador da entidade, Dorval Antônio Osório, aponta que “é um sinal que Pelotas está sendo bem vista”.
Em contrapartida, Dorval acredita que o município ainda pode melhorar nos aspectos referentes à qualidade de vida dos idosos. Um dos exemplos citados por ele é a frequência dos episódios de maus tratos de pessoas da terceira idade, seja por familiares ou terceiros. “Todos os dias recebo alguma denúncia do gênero”, diz.
Em destaque
Não só Pelotas está presnte no ranking do Índice de Desenvolvimento Urbano para a Longevidade; outras 30 cidades do Rio Grande do Sul aparecem na lista de destaques das Pequenas e também Grandes cidades.
Porto Alegre, por exemplo ocupa a 3ª posição entre as Grandes cidades. O estudo coloca a capital gaúcha em tal posição especialmente por estar entre as dez cidades detentoras de maior quantidade relativa de condomínios residenciais dedicados a idosos e também de instituições de longa permanência para idosos. Por outro lado, o levantamento aponta a necessidade de melhorias no que tange à concentração de renda desta faixa etária e à área de segurança pública.
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